segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Trepadeiras

Hoje na minha aula de encadernação estavam comentando.
- Está linda essa trepadeira da isabel, não?
- É, ela estava meio morta e agora até parece uma mata virgem.
- Você não sabe que a daisy falou há um mês atrás para eu cortar fora que estava muito feia e seca e eu falei que ela ia ver como ia ficar bonito quando chovesse. Queria que ela ouvisse vocês falarem isso.
- É uma hera, não é?
- Não, parece um hera mas não é.

E não é que quando eu estava voltando mais tarde para casa reparei que um prédio estava coberto pela mesma trepadeira, e que ela apresentava uma vitalidade formidável agora com essa chuva. E vocês não vão aceditar sobre o que uma mulher que vinha atrás conversava com seu filho.
- Sabe como chama essa planta?
- Não, como?
- Ela é uma falsa videira. Sabe por que a gente chama ela de falsa?
- Porque ela é uma FARSA!
- Não, é por que ela parece a videira mas ela não dá uva.
- Por isso ela é FALSA!
- Por isso ela é falsa vidêeira.
Olhei para trás: era uma mulher de pele escura, mas não tão escura quanto da do filho. Tingira o cabelo de ruivo, usava uma camisa branca e calça capri, o menino vestia calça e casaco de moleton azul e usava um cróqui laranja desproporcionalmente grande.

Taí, é a falsa videira.
Às vezes esses pequenos encontros me emocionam.

The supremes



Essa música não sai da minha cabeça.
Não, eu não presto.

domingo, 8 de novembro de 2009

mudanças no tempo, mudanças no sono

A dinâmica de interações entre as mudanças no tempo ocorridas ao longo do mês de novembro e o meu sono me coloca diante de um problema insolúvel.
Antes de prosseguir com o meu raciocínio devo dizer que a minha apreensão do termo "tempo" na afirmação acima abrange os dois usos mais recorrentes desse na lingua portuguesa vulgar.
1. tempo como temporalidade, efemeridade, diacronia = referência ao horário de verão e ao aumento da extensão temporal da claridade nessa época do ano.
2. tempo como clima, temperatura, atmosfera = referência ao aumento vertigionoso da temperatura atmosférica nessa época do ano.

Bom, poupando a pompa da linguagem a questão é que eu tenho dormido menos. O problema insolúvel é que eu não consigo decidir se isso é vantajoso ou prejudicial à minha vida.
Vantajoso porque dormindo menos eu vivo mais, acordando mais cedo eu durmo mais cedo. Enfim, isso pode me tornar uma pessoa mais produtiva (minha improdutividade tem me incomodado).
Prejudicial porque eu não tenho dormido bem, tenho perdido o sono logo na primeira vez que eu acordo e vejo que já amanheceu. Mas não é como se eu estivesse disposto a fazer alguma coisa, eu gostaria de ter vontade de voltar a dormir. Dormir é um prazer simples e intenso, e eu gosto de dormir bem (e muito).

E agora?

sábado, 7 de novembro de 2009

Grete Karpeles

De todos os livros usados que eu comprei apenas 1 tinha um ex-libris alheio.
Acho que é de uma mulher alemã. Um escrito à tinta no topo do frontispício sugere que o livro tenha sido adiquirido em 1915, mas esse dado me parece surreal considerando que eu comprei o livro num estado de convervação bastante razoável numa banquinha que vende livros usados no jardim da letras, por 13 reais.
Não tenho a mínima idéia sobre o que o livro trata, nem sobre o significado da citação em torno do ex-libris. Espero que algum leitor do peçanha particularmente culto (sacha, dobay?) possa traduzir o título e me dar uma idéia do que se trata.
Aliás, o livro é bonito e o ex-libris interessante, não? A caligrafia é fantástica, embora não deva favorecer o conforto do leitor. O livro inteiro é assim.


Ex-Libris Grete Karpeles
"Trinkt o auged was die wimper halt, von dem goldened uberlufluss der welt. - Keller"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Diálogo: Ponto de Ônibus

Eles eram 3. As duas mocinhas de pé e ele sentado em um degrau de granito em frente à porta da sobreloja de uma ótica (sobreótica?). Uma increditável casca de banana ao lado do rapaz dava uma ar cômico à cena. Esperavam o ônibus com aquela paciência juvenil que só se manifesta na iminência inexorável do grande tédio. Não deviam ter 16 anos.
As duas usavam calça jeans de cintura alta, daquelas que tem dois botões acima do ziper e uma camiseta uniformizada da escola técnica guaracy silveira, uma delas tendo cortado a gola de forma irregular. A ruiva (natural) tinha o cabelo bem curto, repicado, e um piercing prateado onde a cindy crawford tem uma pinta, a morena tinha a pele bem escura e um cabelo meio afro até metade das costas, usava um óculos escuros de aro quadrado. Ele usava jeans rasgados, havaianas, óculos retrô e tinha um cabelo castanho neutro (no tom que o vitinho chama de castanho gay) meio comprido, uma coisa meio jean morrison. Espinhas, muitas espinhas. Nos três, se bem que a morena até que se salvava. Aquela desconfortável deselegância que costuma nos atingir na indecisão colegial atravessava o esforço underground e dava ao look aquela atmosfera de anos 80 mal resolvidos.
- Olha aquela árvore.
- O que?
- Não está se mexendo.
- Nada, parace uma estátua.
- E o céu não tem nenhuma núvem.
- Ainda bem que a gente está na sombra.
- Eu acho muito estranho céu sem núvem.
- Sabe o que me dá muita agonia?
- O que?
- Olhar assim para o céu sem núvens e perder a referência.
- Como assim?
- Ah, vocês nunca tiveram essa sensação? Olhar para cima e não ter nenhuma referência no céu? Ver só o céu? Parece que a gente está caindo.
- Sabe o que é legal também?
- Ah, não sei, eu tenho muita agonia, um dia vocês tentam e ai vão entender.
- O que?
- Olhar aqueles prédios bem altos, bem quando você está no pé deles, tipo assim na paulista. E ai você finge que a gravidade girou 90 graus e você pode ir andando nele até em cima como se fosse um trampolim.
- Como se você fosse cair num abismo e a cidade fosse a parede?
- É.
- Eu acho o centro mais legal que a paulista.
- Tem uns prédios maior legais lá, né?
- É que eles são do século XIX. Antes os prédios era mais bonitos.
- É, eu gosto daquele que é assim, meio redondo para trás.
- Meio assim, né?
- É, esse é o da prefeitura.
- Ai, tem um prédio lá que eu acho meio brega. É em que vai descendo meio assim.
- Ah, eu sei qual é.
- Esse não é o da prefeitura, é o da bolsa de valores. Eu também não gosto.
- Seria bonito se são paulo fosse inteira que nem o centro. Tirando o cheiro.
- Nossa, o cheiro é horrível, né?
- E uma mulher um dia no metrô?
- O que foi?
- Não, o filho dela falou que precisava ir no banheiro e ela só apontou assim para o lado e disse "tá aí!".
- Nossa, mas é muito assim mesmo.
- Tipo "tá aí", e o menino foi lá e fez mesmo. Nem ligou, não teve vergonha nenhuma.
- E quando ele crescer, imagina?
- Não vai usar o banheiro nem em casa, vai fazer tudo na sala mesmo.
- Isso me lembrou aquela cena do cronicamente inviável.
- Qual?
- Aquela que ele está fazendo xixi no jardim e ela abre a porta e fale "vai fazer isso na sua casa" e ele vai e entra na casa.
- Muito boa essa cena.
- Nossa, vocês não sabem o que eu fiz na aula do Geraldo.
- Informática?
- É, ele usou o google maps.
- Eu acho muito legal o google maps.
- Então, eu abri daquele jeito bem longe a cidade de são paulo, quando dá para ver as estradas chegando, sabe?
- Sei.
- Aí eu coloquei bem no meio do mapa e apertei duas vezes para aproximar. Adivinha aonde deu?
- Onde.
- Rua caropá.
- Ah, a rua da marina.
- É, acho que a casa da marina é o centro do universo.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Benjamin with Lasers


Salve-se quem puder.
(desenho feito no xerox de um texto do benjamin, duarnte uma aula sobre benjamin, em um curso sobre o walter benjamin).

Levi's

Levi-Strauss morreu, viva Levi-Strauss.
Espero que a daqui a (mais) 100 anos "Levi-Strauss" signifique mais que uma marca de jeans. Uma boa marca de jeans, talvez, mas apenas mais uma marca de jeans.

Bastardos Inglórios

Anteontem eu e a aline vimos "bastardos inglórios", do tarantino no cinema.
Que filme fantástico! A forma como o filme se desenvolve para aquele final apoteótico me lembrou, talvez inexplicavelmente, o "Carrie, a estranha" do Stephan King.
Nos ocorreu, logo em seguida, uma idéia: seria esse o filme o melhor filme que já vimos sobre a segunda guerra mundial? Pareceu possível.
Logo de cara viria a concorrência pesada de "O grande ditador", do Chaplin. Ambos naquele genial tom satírico, uma briga de cachorros grandes. Mas sim, é possível que os caçadores de nazistas vençam.
Tem alguns filmes ótimos também: A queda, Lili Marlen, Casablanca, Mata Hari. E tem aquela penca de filmes mais ou menos, alguns de muito sucesso: O resgate do soldado Ryan, O menino do pijama listrado, etc... O bastardos inlgórios seguia desbancando todos.
Até que eu lembrei, e ai não tinha mais volta. Era o "Roma, cidade aberta". O primeiro filme do neo-realismo italiano, feito de uma parceria entre o Felini e o Rosselini (!). Um filme monumental, maravilhoso, absolutamente incrível, filmado cem cenários numa roma arruinada pela guerra. Que filme! Algumas das tomadas mais inesquecíveis do cinema. Paradigmático mesmo, sabe? Não teve jeito.
"Roma, cidade aberta" é um filme de top 5 forever, daqueles que é maldade comparar com qualquer outro filme. Mas eu não encarei isso como uma derrota do tarantino. Não sei, o simples fato de eu precisar de argumentos para me convencer de que o "bastardos inglórios" não é melhor do que "Roma, cidade aberta" já é uma conquista fenomenal. Às vezes a simples empreitada de uma comparação já é uma conquista.
Segundo melhor filme sobre a segunda guerra? Good enought for me.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ninfetasemfúria

http://ninfetasemfuria.wordpress.com/

Projeto de Blog que estou tocando com mais 4 amigos. Devo publicar coisas no estilo do peçanha às quintas feiras, que é o dia pelo qual estou responsável lá. Vou começar com a ilustração do orientação dos gatos. Se você ficou curioso com a capa dê uma passada por lá na quinta para ver o primeiro acompanhado do trecho correspondente do conto.
O trabalho dos outros autores eu gosto bastante, alguns inclusive vocês talvez conheçam (mesmo porque vira e mexe eles aparecem nos comentários aqui do peçanha ou na barra de blogs recomendados).
Amanhã mesmo começam as publicações com a Maíra Martines.
Não percam, acho que vai sair umas coisas bem legais!

domingo, 1 de novembro de 2009

Experiência Própria (4)

Chegou o famigerado momento "dicas que eu gostaria de ter me dado".

1) Se você quiser deixar um copo de água e o seu celular perto de onde você dorme evite deixar o copo perto do celular. Especialmente se o lugar onde você apoiaria esses objetos for a mesa onde seu pai deixa os livros que ele está encadernando. Você nunca sabe o que pode acontecer se o celular tocar no meio da noite.
2) Mesmo se você observar que em um dia há 2 rolos de papel higiênico não deixe de verificar se há pelo menos um rolo no dia seguintes antes de usar o banheiro. Você pode ter um irmão retardado que decida levar os dois rolos para uma viagem sem se preocupar em repô-los.
3) Nunca combine um encontro com alguém "a meio dia na praça do patriarca". Praças por onde circulam muitas pessoas podem ser um péssimo ponto de encontro, além do que a bateria do celular dessa pessoa pode acabar justo naquela hora.
4) Não fale mal de uma pessoa se o meio-irmão dela estiver sentado no banco detrás num ônibus. Mesmo que essa pessoa e esse meio-irmão não se dêm muito bem.
5) Se quiser levar uma bala ao cinema fuja dos tic-tacs.